Realidade e o Reino de K@!

Hoje levantei às oito horas da manhã e fiquei vendo TV. Já passava das nove e meia quando resolvi sair para fazer um Cooper, num calçadão, aqui na frente de casa. O sol já estava bem forte, apesar do céu estar cheio de nuvens.

Atravessei a avenida, faixa de pedestre, e no lugar onde ia iniciar a minha corrida, parei para fazer alongamento. Enquanto estava ali, vi uma pequena perturbação no trânsito causada por um caminhão parado ao longo da via, com o pisca-alerta ligado. Fazia uma espécie de proteção para alguns trabalhadores, vestidos de roupas laranja, cheio de adesivos refletivos verdes limão, com a função de chamar a atenção dos motoristas que passavam para não atropelá-los, enquanto pintavam o meio-fio - para algumas pessoas guia ou paralelepípedo, já que o Brasil é muito grande.

 

Outra coisa me chamou a atenção. As condições do caminhão. Além de velho, continha alguns tambores em sua carroçaria onde ficava o Cal usado pelos trabalhadores em sua atividade. Comecei a correr e ao longo de quase um quilômetro fui vagarosamente passando por todos e observando trabalhando. Segui adiante no meu caminho e fui até o ponto onde tinha me programado. Na volta, cerca de 30 minutos depois, já bem suado e cansado por já ter corrido mais de quatro quilômetros e meio - tudo bem estou fora de forma! -, comecei novamente a passar pelos trabalhadores e desta vez, o BDSM logo me veio à mente.

Eram dois homens e quatro mulheres, acredito que todos com os seus mais de 30 anos. Fiquei imaginando, se o meu exercício estava difícil, a vida deles, também, não parecia nada fácil: em pé, curvados sobre suas barrigas e repetindo seguidamente o movimento de colocar o grande pincel dentro do balde que seguravam e passá-lo no meio-fio. À medida que corria em direção ao final da minha atividade, passei por um deles com um ar feliz. A frente uma moça um pouco mais séria, trabalhando rápido, como se quisesse acabar logo o que estava fazendo. Terminar? Será que ela ia mesmo terminar às 10 horas da manhã? Certo que não! O caminhão os levaria alguns quilômetros à frente, onde eles continuariam a pintar aquela longa avenida, que, não resta dúvida, gastaria bem mais do que um dia para ser pintada.

Refletia! Será que somos todos SM? Enquanto me aproximava do caminhão que continuava lá no mesmo lugar, eu percebi uma moça, que não havia notado na ida. Ela estava bem vestida, quando comparada com as trabalhadoras de laranja. Usava um vestido tipo cigana, deste que muitas mulheres usam em seu dia a dia. Como os pés nunca me fogem a cena, não passou despercebido que ela usava uma sandália rasteirinha e que seus pés, branquinhos, estavam bem cuidados e com as unhas feitas. Apesar dela estar em pé, usava um fone de ouvido, talvez um MP3, não sei, e observava o trabalho que a moça mais perto do caminhão realizava.

Acabei a minha corrida. Cansado fiquei sentado na grama, embaixo de uma árvore para tomar fôlego - caramba, como seria bom se nós Nobres Dominadores fossemos liberados deste tipo de atividade para manter a forma. Não demorou muito a moça dos pezinhos branquinhos, entrou no caminhão no lugar do motorista para minha surpresa, esperou a moça, que acabara de pintar, subir na carroceria e se acomodar em meio aquele caos de tambores, baldes e pinceis sujos e seguiu com o caminhão até o próximo trabalhador mais à frente, cerca de 400 metros. Parou, desceu do caminhão e ficou lá em pé novamente, suponho que para esperar o próximo trabalhador concluir o seu trabalho. Mais descansado, levantei e vim embora, tomei meu banho e escrevi este texto.

Será que nossas vivências no Reino são assim tão diferentes daquelas tantas que presenciamos no nosso dia a dia? Certamente que sim! Aqui tudo é feito consensualmente e de alguma se vive o papel em que se tem prazer. Fora, as coisas seguem outra lógica, decerto as pessoas necessitam atender as suas necessidades mais básicas dos seres humanos, relacionadas à fome, sede e abrigo, segundo Maslow, psicólogo americano.

Os diferentes papéis no Reino são tão estranhos a realidade? Não poderia ser a motorista do caminhão a Sub de Vermelho ou da Tiara, enquanto as outras trabalhadoras as Sub de Preto, apesar de neste caso estarem usando laranja?


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