Sensações de um Castigo

Vencedor do II Concurso de Contos e Poesias BDSM Contos BDSM & Clube Dominna
Jul/2007


Enquanto eu subia os degraus daquela escada escura, úmida e fria, com forte cheiro de mofo, uma dúvida tomava conta dos meus pensamentos: que tipo de dor seria mais duramente sentida por uma escrava que estava prestes a ser castigada pelo seu Dono, por ter cometido um erro: o pânico pela dor física que estava por vir, ou o remorso pela dor moral por ter errado tão feio? Talvez uma completasse a outra.

Eu relato aqui a mais pura expressão de dor física e moral

que eu senti quando fui castigada pelo meu Dono, depois de ter cometido uma falta gravíssima contra Ele: traí sua confiança. Eu não tinha garantia de que continuaria usar Sua coleira, no entanto, eu seria severamente castigada naquele dia. Tudo era válido para tentar reconquistar o amor e a confiança Dele...

Eu cheguei naquele lugar horrível tão diferente dos lugares que costumávamos fazer as nossas sessões. Aquele ambiente vulgar e sujo destoava do conforto, bom gosto e até certo luxo que eu conhecia tão bem. Estar num ambiente daquele fazia parte do meu castigo... Ele sabia disso.

Tudo era diferente da nossa rotina: eu vestia um conjunto vermelho de saia e blusa transparente bem vulgar, sem soutien, sem calcinha, sem maquiagem e calçando sandália rasteirinha, sem o costumeiro salto alto, com os cabelos presos em “rabo de cavalo”, mais parecia uma prostituta de beira de estrada.

Ele sabia o quanto seria difícil para eu chegar daquele jeito naquele lugar asqueroso, tendo sido assediada pelos tipos mais estranhos que já passaram por mim. Um deles chegou a passar a mão nas minhas nádegas e me chamou de “tesuda”. Arrepio só de pensar o nojo e a raiva que eu senti. Eu não queria pensar mais nisso, finalmente eu havia chegado ao meu destino.

Abri timidamente a porta do quarto daquele hotelzinho de quinta próximo à rodoviária, com o coração aos pulos. À primeira vista, a única imagem que me chamou a atenção foi do meu Dono de costas olhando para fora da janela de onde vinha um barulho intenso de trânsito. Tive uma sensação de alívio e uma vontade louca de correr para os braços Dele para que me confortasse tomou conta de mim, mas recuei, eu não podia fazer isso e nem tinha tempo para emoções.

Conforme ordem recebida, eu tirei rapidamente as sandálias coloquei meus pertences em cima de um banquinho e ajoelhei com as pernas bem abertas e espalmei as mãos no chão frio e seboso de cabeça baixa. Eu não O via, mas senti que Ele permaneceu imóvel. Como eu não fiz barulho algum e os ruídos externos eram intensos, eu não sabia se Ele tinha notado a minha chegada.

Continuei naquela posição por uns 15 minutos, quando de repente meu coração deu um pulo ao sentir Ele se aproximar de mim.

Segurou forte o meu queixo e me fez encará-lo; olhei dentro dos olhos Dele e só via uma fúria incontida. Os meus olhos eram o reflexo de puro medo e remorso. Senti meu rosto arder pela sonora bofetada que levei e um filete de sangue escorreu pelo lábio cortado. Nem tive tempo de me recuperar quando Ele, com um gesto brusco, arrancou a minha coleira que sempre esteve no meu pescoço e atirou com força em cima do criado mudo, sem dizer uma palavra. Eu engoli um choro contido, intimamente entrei em pânico, pois sabia que qualquer reação seria pior. “Ele tirou minha coleira” pensava eu sentindo uma dor infinita na alma, mas isso era só o começo.

Sempre fui submissa e nem de longe fui dada ao masoquismo físico. A minha resistência a dor sempre foi muito baixa naquela hora, porém, eu estava ciente que isso não seria levando em conta. Embora eu soubesse que Ele jamais me prejudicaria tinha certeza que todos os meus limites seriam postos à prova. Prazer também seria algo que estava longe de eu sentir naquele dia.

Com gestos mais bruscos ainda Ele rasgou toda minha roupa e me deixou totalmente nua. O susto foi tão grande que nem tive tempo de pensar como eu iria embora daquele lugar horrível. Os movimentos Dele eram rápidos e precisos, Ele me jogou de bruços sobre a cama e me amarrou com cordas em forma de “X”, colocou uma gag-ball na minha boca e me vendou os olhos (mesmo sabendo o quanto me incomoda ser vendada). Não disse uma palavra.

Os golpes do chicote de couro cru começaram. Eu gemia de dor, a perna repuxava e o corpo estremecia pelo ardor intenso. Não sei quantos, mas foram mais de cinqüenta (nunca suportei tanto). Minha segunda surpresa dolorosa foi sentir um plug sendo enfiado no meu ânus sem delicadeza e sem lubrificação. Forçou tanto que senti ferindo minhas entranhas doeu tanto que gritei de dor. Ele nunca havia feito isso antes, não dessa forma. Depois vieram os golpes de cane... não suportei e comecei a chorar e gritar desesperadamente. O grito era abafado pela gag-ball e pelo barulho vindo de fora que eu nem ouvia mais. Acho que foram vinte e três golpes, Ele parou porque meu corpo ficou inerte e eu me calei estava tonta e sentia náuseas e a visão ficou turva por uns instantes. Acho que comecei a perder os sentidos, mas logo recobrei. Nem percebi que minhas nádegas sangravam e já estavam tomadas por hematomas.

Uns quinze minutos se passaram eu cheguei a ter certa sonolência, que foi bruscamente interrompida por uma fisgada de uma agulha no meu pé esquerdo. Uma... duas... três... dez... quinze, no mesmo lugar. Eu me contorcia gemia e chorava muito, mas em vão, pois Ele segurava forte o meu pé. Senti o sangue escorrer provocado pelos furos. Vieram em seguida os castigos de uma chibata com rebites de metal que destruíram meu pé... mais de cem eu consegui contar. Eu ensopei a cama de lágrimas, mas ainda assim, Ele apertou com alicate as partes mais sensíveis do meu pé cheguei a urinar de dor... Meu choro era convulsivo, eu balançava toda a cama, mas Ele se mostrava frio e completamente alheio à minha dor. O sadismo em pessoa havia tomado conta Dele.

Ele me pegou à força pelos cabelos e puxou para trás, arrancou a venda dos meus olhos e sem dizer uma palavra me fez ler um papel, pregado na parede, em letras enormes, o erro que eu cometi. Lá estava ele! Aí sim eu chorei sem parar... doía o corpo todo, mas a alma estava em carne viva. Como eu podia ter traído a confiança do meu Dono amado? As lágrimas copiosas lavavam-me a alma.

Esses pensamentos tomavam conta de mim quando o Seu pênis rígido tocou o meu pé direit, pelos movimentos eu sentia Ele se masturbar e fui parando de chorar. Todo o meu sofrimento Lhe dera um prazer sádico, que de certa forma me fazia feliz. O toque do Seu pênis foi o único prazer que tive. Fiz menção de acariciar o Seu membro com meu pé, mas logo senti uma dor terrível pelo aperto forte do alicate e chorei novamente... Ele se masturbar e ao mesmo castigava o meu pé. Logo em seguida senti o Seu esperma quente escorrer pela sola do meu pé: eu havia dado prazer ao meu Dono amado.

Voltei a sentir uma dor imensa nas nádegas quando ele passou um produto anticéptico nos meus ferimentos. Uma agonia tomava conta do meu coração, eu percebia que o castigo físico havia acabado, mas não sabia o que estava por vir. O medo de perdê-lo era grande demais, eu estava muito arrependida e suplicaria seu perdão pelo resto de minha vida se preciso fosse, mas viver sem a coleira dele seria a morte para mim, meu corpo todo tremia ante essa expectativa dolorosa.

Lentamente Ele me desamarrou da cama tirou a gag-ball da minha boca e o plug anal e me pôs de pé, seus gestos eram gentis. Eu cambaleei e quase caí quando senti uma vertigem. Ele atirou em cima da cama um saco plástico contendo um vestido preto e fez menção para que eu o vestisse. Atendi prontamente. Meu coração parecia que ia saltar pela boca. Ainda sem dizer uma palavra, eu já estava incomodada com aquilo, mas não ousei dizer nada, Ele fez menção para que eu ajoelhasse e beijasse seus pés, obedeci. Beijei cada um de seus pés com muito amor molhando-os de lágrimas que não paravam de sair. Ele veio por trás de mim e colocou a “minha” coleira de volta ao meu pescoço... Aí sim eu soluçava sem parar. Ele me levantou e me tomou em seus braços, abraçou-me forte e carinhoso, em seguida deu-me um longo beijo e disse finalmente: “Eu ainda te quero minha escrava, veja se agora aprenda com o seu erro”. Pegou sua valise e saiu do quarto sem dizer mais nada.

Um misto de alegria e gratidão tomou conta do meu coração, eu não sabia se ria ou se chorava... eu disse baixinho: “obrigada meu Senhor”. Felizmente eu era DELE!

por: kalía * K@ *


THAIS CANIDO Gravatar   11.03.2017 17:12
Dor de errar Nossa. Lindo demais o sentimento que tenho é de pavor em pensar que posso perder meu erro ou cometer um deslise qualquer. Que nunca venha passar por isso, sei que sem meu dono, prefiro a morte do que estar largada no mundo de novo.
 
Aninnha Gravatar   08.01.2015 20:33
Sensações de um castigo Simplesmente perfeito, nunca até agora havia lido algo que mexesse tanto comigo quanto esse texto. Acho que já li umas duas vezes e ainda não cansei. Adorei
Abraços
 
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