Poligamia

Recebi como tarefa de meu Senhor, Mestre K@, fazer uma pesquisa sobre poligamia. Como nada foi especificado, entendi que Ele queira uma pesquisa ampla que abordasse todas as vertentes deste conceito. Por questões de ordem pessoal o propósito desta pesquisa não é o de detalhar o conceito ligado à religião, embora saiba-se que há uma ligação estreita entre religiosidade e poligamia.

 

Boa leitura a todos, kalía { K@ }!

 

 

 

O fenômeno poligamia dá-se quando estamos diante de casamentos múltiplos, ou seja, quando uma pessoa possui vários cônjuges. A poligamia é, portanto, um tipo de relacionamento que envolve matrimônio simultâneo com mais de uma pessoa. A poligamia difere da monogamia, que consiste no matrimônio com uma só pessoa. No reino animal, a poligamia se refere à relação onde os animais mantêm mais de um vínculo sexual no período de reprodução.

 

A poligamia se desdobra em duas vertentes distintas tanto entre os animais como nos seres humanos: a poliginia que é o fenômeno onde o homem casa-se com várias mulheres, ou um macho que copula com várias fêmeas e a poliandria que, ao contrário, é uma mulher que vive casada com vários homens, ou uma fêmea que mantém relações sexuais com vários machos.

 

Entre os humanos, a opção pela poligamia depende do contexto sócio-cultural. Existem culturas que aceitam e até incentivam a poligamia. Há, normalmente, razões que determinam a opção social pela poligamia. Dentre elas podem citar-se razões de natureza demográfica, relacionadas com a reprodução e a sobrevivência do grupo ou da comunidade. Há ainda razões de natureza social ou econômica que incentivam laços poligâmicos, sendo estes causa de equilíbrio ou de promoção social.

 

É quase impossível encontrar estatísticas sérias a respeito de poligamia, uma vez que casamentos múltiplos raramente são documentados. O relato de pessoas que abandonaram a vida em famílias poligâmicas, no caso poligínicas, afirmam que a estrutura destas famílias anula a liberdade e independência feminina. Os maridos são totalmente autoritários e as esposas e filhos totalmente submissos.

 

A relação de dependência das esposas em relação aos seus maridos e até mesmo das outras esposas, fazem com que essas mulheres não consigam viver sozinhas. Por isso sentem-se presa e cada vez mais elas têm dificuldade de sair. Em algumas culturas esposas polígamas nasceram e foram criadas em famílias assim, por isso, mais ainda torna-se difícil imaginar outro estilo de vida. A tradição, os valores e as crenças são mais fortes do que a capacidade de superação desta condição.

 

No livro “O mito da monogamia” o casal David Barash e sua mulher, a psiquiatra Judith Eve Lipton mostram que a monogamia não é um comportamento humano "natural". A exemplo das aves, os seres humanos também fazem arranjos monogâmicos “de fachada”, mas são invariavelmente infiéis. O que se percebe nas aves, e nos seres humanos também, é uma monogamia social que não corresponde à verdadeira prática sexual que rola por baixo do pano. É então que surge o grande fenômeno clássico das sociedades monogâmicas de fachada: a pulada de cerca.

 

Segundo os autores trair é natural, embora pareça estranho e difícil de aceitar, esse é um fato incontestável à luz fria da ciência: o desejo de variedade sexual foi incutido no homem e na mulher (em grau pouco menor) durante os séculos, seguindo a evolução. Da mesma forma outros animais legitimamente se comportam desta maneira adotando as práticas equivalentes a poliandria e poliginia. Vejamos os exemplos:

 

A poligamia é um comportamento inerente e primitivo, comum entre os animais e modificado socialmente nos humanos. Tanto mulheres como homens são biologicamente predispostos a trair seus parceiros, isso prova que a monogamia é um mito perpetuado pela religião e a moral

 

 

A Difusão da Poligamia

 

Grande parte dos países que praticam a poligamia impera também um grande índice de miserabilidade e desigualdade social como muitos países africanos.

 

Sempre que o assunto é poligamia nos países da África, só os homens é que a defendem, afirmando que é até um “favor que prestam às mulheres”. Como numericamente são muitas, é preciso criar um equilíbrio na sociedade. São palavras de homens de  diversas camadas sociais, desde analfabetos até os que têm curso superior, intelectuais, etc. Eles recusam a reconhecer que a cultura é dinâmica e que, à medida que as sociedades evoluem, outros valores surgem, assim como se cria uma nova consciência dos direitos. Para eles nada pode ser alterado em nome da preservação de sua cultura e suas crenças.

 

A poliginia está, pelo contrário, amplamente difundida em muitas regiões da África subsaariana e um dos fatores que favorece esta prática é a ascensão social e econômica. Para um homem dessa região, desposar mais mulheres significa ter mais filhos e mais prestígio. E permite produzir mais bens agrícolas, uma vez que o cultivo de plantas alimentares concerne quase sempre às mulheres, além dos serviços domésticos. A chegada de uma nova mulher pode ser vista com agrado pelas outras mulheres, pois isso implica na redução da sua carga de trabalho.

 

Um dos fatores que serve como incentivo à poligamia na África é a valorização enorme da maternidade. Essa atenção dada à maternidade na África chega a ser incoerente com outras ocorrências observadas no continente. Por exemplo, a prática de mutilação genital costuma causar sérios danos à saúde sexual das mulheres, dificultando as relações sexuais, o parto, ou até mesmo tornando-as estéreis. Além disso, a mortalidade infantil é altíssima no continente, que apresenta também elevadas estatísticas de crianças que se tornaram órfãs devido ao fato de seus pais serem vítimas da AIDS.

 

Foi curioso encontrar um texto que apresentava o discurso dos moçambicanos em defesa à pratica da poliginia alegando que suas culturas e religiões em sua diversidade são fundamentais na constituição da identidade do seu povo, como indivíduos e como nação, é nelas que eles se reconhecem e pensam como pessoas humanas.

 

Os argumentos usados em defesa da poligamia consideraram (1) a identificação do problema; (2) porque que o reconhecimento do casamento poligâmico pode representar uma solução:  

 

1-    Problema: Algumas mulheres, por qualquer motivo, não podem ter filhos.

Solução:A poligamia permite ao homem ter uma segunda mulher capaz de conceber e de dar filhos.

 

2-    Problema: Algumas mulheres não conseguem ter vontade regular de cumprir com as suas obrigações conjugais e o homem "sofre".

Solução:Uma segunda esposa permite que a primeira tenha mais descanso, sem que isso prejudique o homem.

 

3-    Problema: Há homens, como, por exemplo, os mineiros, que viajam constantemente e passam muito tempo fora de casa, longe das mulheres.

Solução:A poligamia permite-lhes ter outras esposas.

 

4-    Problema: As mulheres têm muito trabalho doméstico.

Solução:Num casamento poligâmico as mulheres se apóiam muito umas às outras e nos cuidados com as crianças.

 

5-    Problema: Existe muita prostituição e “mães solteiras” nas nossas sociedades.

Solução:A poligamia ajuda a diminuir a prostituição e o fenômeno das mães solteiras.

 

6-    Problema: O casamento monogâmico defendido na proposta de Lei de Família é estrangeiro e ocidental.

Solução:A poligamia é uma tradição africana; é uma prática "natural".

 

7-    Problema: Se uma só considera o casamento monogâmico, está-se atirando a mulher para a prostituição, mulheres que atualmente são segundas ou terceiras esposas de um casamento poligâmico.

Solução:Legalize-se o casamento poligâmico.

 

Observa-se que a prática poligâmica tende a beneficiar o homem no sentido de facilitar o desempenho de suas funções sexuais, assegurar a perpetuação de sua descendência, garantir a ordem na casa, bem ver sendo cumpridas todas as atividades domésticas, preservar suas tradições e culturas. A mulher deve ser protegida pelo homem, dentro do casamento poligâmico, da prostituição, de ser mãe solteira e no cumprimento de suas obrigações conjugais, caso não sinta disposição, ser aliviada dos trabalhos com a lida na casa e na criação dos filhos; pois para isso recebe ajuda das outras esposas ajudam.

 

Quando a Poliandria, são poucas as sociedades que a adotam. As mais conhecidas e estudadas são as do Tibete e da Índia bem como do Butão, do Siri Lanka e algumas sociedades esquimós. Em tais sociedades difundiu-se a família poliândrica fraterna, que se forma quando uma mulher desposa ao mesmo tempo dois ou mais irmãos e com eles vive; uma vez casados, os irmãos têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações para com a prole e a mulher comum: os irmãos devem todos trabalhar para sustentar a família, enquanto a mulher deve cumprir as tarefas domésticas para todos e, no tocante às relações sexuais, deve passar uma noite com cada um dos irmãos.

 

Nos países muçulmanos a poliginia é justificada com o argumento de que é para a proteção da própria mulher, e que é da natureza do homem ser poligâmico e a mulher monogâmica. Porém ela está cada vez menos difundida nesses países, como a Arábia Saudita onde é expressamente permitida pelo Alcorão, cujo texto diz: “Desposa mulheres à tua escolha, duas, três ou quatro”, sendo hoje praticada, quase sempre, por aqueles que detêm as posições sociais mais elevadas. A opção islâmica por várias mulheres é justificada pela convicção de que é o mais correto e mais honesto ter várias esposas do que ter amantes.

 

 

Exemplos de países onde se pratica a poligamia

 

Arábia Saudita: seguem fielmente o texto Alcorão, que diz “Casai com quantas mulheres quiseres, 2, 3 ou 4: mas se temeis não poder tratá-las com equidade, então tende uma só.”.

 

Tanzânia: lá o casamento tem seu status definido na hora da cerimônia, podendo ser monogâmicos, poligâmicos ou potencialmente poligâmicos. A união pode mudar, desde que seja do consentimento do marido e da esposa!

 

EUA: proibida em todo o território americano, a poligamia não deixa de ser praticada pelos mórmons. Eles acreditam ainda que a poligamia é recompensada. Para driblar a lei, eles geralmente se casam legalmente com a primeira e as outras, que podem chegar a 30, recebem o sim apenas em cerimônias religiosas!

 

Iêmen: as regras são as mesmas da Arábia Saudita, ou seja, só para os ricos. Porém, a primeira mulher sempre tem a ultima palavra! O marido só poderá casar de novo, se a primeira permitir.

 

Sudão: autoriza e incentiva a poligamia. Segundo a lógica, com casamentos múltiplos eles vão aumentar a população.

 

Nepal: a poligamia é proibida, mas ainda sim praticada, principalmente em comunidades tribais. Mas na verdade, eles praticam a poliandria, já que geralmente quando uma mulher casa e leva o irmão de brinde! A justificativa é econômica, porque as terras são poucas e com apenas uma mulher, eles não precisam repartir os bens da família. Se forem três irmãos, o do meio costuma virar monge. Se forem quatro, cada dupla se casa com uma esposa.

 

 

Casos extremos de prática poligâmica 

 

-Joseph Smith, nos Estados Unidos - Embora nos Estados Unidos a poligamia seja proibida, os mórmons não respeitavam a proibição. No século XIX o fundador da religião Mórmon chegou a ter mais de 30 esposas, de idades bem variadas: dos 14 até os 60 anos, era possível ser esposa de Smith. No entanto, existia uma esposa oficial, que se chamava Emma.

 

- Goel Ratzon, em Israel - O israelense Ratzon, que possui o apelido “Messias do Harém” foi casando e acumulou 32 esposas que lhe deram 89 filhos. Mas o final dele não foi feliz: foi preso. Pudera: sua imensa família vivia em situação sub-humana, sem condições mínimas de higiene e ainda tinham que seguir várias leis rígidas, que o próprio Ratzon criou para exercer poder sobre a família.

 

E o pior é que Ratzon ainda explorava as mulheres: registrava-as como mães solteiras para que elas recebessem ajuda do governo, mas na hora de receber o benefício quem embolsava o dinheiro era ele!

 

- Ayatu Nure, da Etiópia - Ayatu é casado com 12 esposas, e ele teve que pagar 2 mil por cada esposa. Com uma dúzia de mulheres o etíope teve 78 filhos. Sem dinheiro para sustentar toda essa gente, a família vive comendo raiz de bananeira.

 

 

O Harém e a Poligamia

 

A palavra Harém deriva do árabe "haram", significando protegido ou proibido. A parte protegida de uma residência, onde mulheres, crianças e empregados vivem no máximo isolamento e privacidade. Finalmente, harém passou a significar "Casa da Felicidade" a quase religiosa aceitação dos direitos exclusivos do senhor da casa na procura sexual das mulheres que lhe pertencem.  Um lugar onde mulheres são separadas e enclausuradas, sacrossantas de todos, menos do homem que governa suas vidas. É um lugar numa rica e nobre casa, guardado por escravos eunucos, onde o senhor da mansão mantém suas esposas e concubinas.

 

Em árabe a primeira esposa é chamada "hatun" (a grande dama).  Se um marido quiser livrar-se de uma de suas esposas ele pode se divorciar dela de forma relativamente simples, basta estar em frente a um juiz (kadi) e dizer "Eu me divorcio dela" três vezes. A mulher não pode solicitar o divórcio, pois não possui esse direito. O Alcorão também permite aos homens possuir quantas odaliscas (escravas) ele desejar.

 

Ter múltiplas esposas custa caro, não apenas para manter, mas também porque havia o costume de construir um "dote" para cada esposa. Homens pobres raramente podiam se permitir mais de uma esposa, - apesar de, às vezes, terem duas de qualquer forma - separando-as em sua pobre casa, apenas por uma cortina.

 

Já os homens ricos por vezes excediam as quatro permitidas pelo Alcorão e faziam de mostruário suas esposas como um símbolo de "status". De qualquer forma, mostrar demais atraiu os coletores de taxas e outros ônus indesejáveis.

 

Hoje a prática de poligamia é vista, na grande maioria dos casos, obedecendo a princípios de tradição, por falta de opção, por desconhecimento da lei e não por livre vontade. Está certo que foi possível observar que muito do que se pratica nas relações poligâmicas, assemelha-se às vivências dos chamados haréns no BDSM, mas com uma diferença crucial: a ausência da consensualidade e do consentimento de todas as partes envolvidas.

 

Uma pergunta fica no ar... existe de fato consensualidade nos haréns BDSM, ou muitas se sujeitam a isto também por falta de opção? Esta é uma questão para um futuro trabalho.

 

Para finalizar e estimular nossas reflexões sobre todas essas informações e questionamentos, deixemos que música “Poligamia” do Grupo Kid Abelha nos embeveça. 

 

Este trabalho foi realizado tendo como fonte de consulta e referência, textos encontrados nos seguintes sites: Portal São Francisco,  Wikipédia, A Busca pela Sabedoria, Khan el Khalili e Portal dos Curiosos.   


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