Encontros e reencontros

Encontros e reencontros: facetas das Relações D/s à distância 

Por: kalía { K@ } – 13/01/2013

 

Encontros e reencontros bdsm sadomasoquismo a distânciaEu e as demais submissas do Reino de K@ recebemos nosso Mestre a tarefa de participar de um debate interno com o tema “relacionamento à distância”, onde pudemos expor nossas percepções sobre esta questão que é a nossa realidade, uma vez moramos em diferentes cidades.

 

 

Foi interessante observar que a forma de sentir a distância do Dono nem sempre é consenso entre as escravas. A partir do que discutimos exponho a seguir alguns posicionamentos meus e das meninas, afim de que nossas reflexões possam contribuir para orientar outras pessoas que tenham interesse nesse assunto.

 

Particularmente eu sou também favorável à ideia de que distância geográfica e física não determina uma relação, mas os sentimentos e propósitos sim. Assim como concordo que pode existir solidão em relações presenciais e muita presença na “ausência”, depende do direcionamento que damos.

 

Os encontros se dão com o Mestre e suas escravas levando em conta uma série de fatores de ambas as partes: disponibilidade, tempo, dinheiro, oportunidade, isso sem falar no desejo e merecimento. Algumas submissas que por tudo que já viveram no Reino merecem muito estar com Ele, mas a condição de casadas as impedem de vê-lo com a frequência que elas gostariam e muito menos na intensidade que mereciam. Existem situações, oportunidade e circunstâncias que ora nos impedem, ora favorecem os encontros.

 

Um fator que determina esse contato do Dono com suas escravas é a quantidade, pois se o Mestre tem quatro escravas a disponibilidade de tempo para cada uma vai ser maior do que se Ele tiver doze... E com doze submissas se Ele se propuser a ver uma por mês, Ele estará sempre em contato com elas, mas por outro lado cada uma terá um encontro anual com Ele. Por isso é importante que se tenha bem em mente que a fantasia Dele é essa e se estão preparadas para administrar esse tipo de situação. 

 

Se por um lado as submissas solteiras têm mais disponibilidade para encontros reais com o Dono e até mesmo contatos virtuais, ou por telefone, por outro as submissas casadas sentem não só a limitação da distância em si, mas também as dificuldades por conta de sua condição civil. Embora elas tenham consciência dessas impossibilidades, o conflito entre o desejo de estar com Ele e o sentir-se preterida muitas vezes acontece.

 

Para outras, mesmo solteiras, a distância atrapalha muito, pois consideram que vivem a relação de forma muito intensa e necessitam do Dono presente, do seu toque, cheiro, olhar... Para elas a tecnologia que permite a aproximação virtual ajuda muito, mas não é suficiente para preenche a necessidade de estar junto. Estão cientes de que a distância existe e amenizá-la afirmam que é preciso ter criatividade e inventar formas de administrar essa ausência. Uma delas é não focar sua vida somente no SM, mas se ocupar com outras atividades, família, trabalho, lazer, etc.

 

Todas foram unânimes em afirmar que o Mestre se faz presente mesmo na ausência, que com o uso da tecnologia como conversas por telefone celulares que oferecem planos de custo zero, emails, MSN, Skype com uso de câmera e podemos falar e ver a pessoa ao mesmo tempo ameniza um pouco essa distância. O Mestre sempre foi muito presente na vida de todas as suas submissas... Sempre galante e cortês, Ele é muito atencioso e justo e acima da relação D/s Ele estreia laços de amizade.

 

Concordo com as palavras da klarissa quando diz:

Intensidade é a palavra mágica do meu contato com o Mestre. Intenso na primeira troca de e-mails, na primeira conversa, no primeiro torpedo, na primeira brincadeira, na primeira encarada, na primeira.... E continua assim. Não passei um dia sem sentir a sua presença, sem ser provocada, sem ser despertada (de várias formas) por ele. Essa conexão sensual e constante neutralizou os meus bloqueios (assunto para outro dia) e disponibilizou meu corpo e meu espírito para as fantasias antigas não vividas. Pois é, depois de tanto tempo, tantas tentativas, só agora estou vivendo um relacionamento fiel à minha vocação - com um homem que está longe. Ora, isso é exatamente o oposto de distância. É proximidade. (klarissa { K@ })

 

E também com a opinião da Raquel eu me identifico:

São poucos os momentos com Nosso amado Mestre, mas são as entrelinhas destes momentos que vi cada uma citar aqui: Seus olhinhos brilhantes, Sua felicidade, Sua voz ao telefone, Sua chegada na cidade, Seu prazer... Todos os mínimos detalhes de cada sessão, cada cena, cada vivência. O Mestre está distante geograficamente, mas está presente na mente e no coração de todas. Foi assim que optamos por viver. Foi uma decisão. Não dá para cair na rotina. Dá para esperar a sua vez e curtir cada segundo, oferecendo todo o prazer e dedicação que o Mestre merece. (Raquel é uma submissa, convidada do Reino, que está participando desta vivência)



Para que consigamos nos fortalecer com uma vivência praticamente à distância precisamos nos pautar pelo que diz a kamira:

Penso muito em como somos agraciadas por um Mestre que faz questão de dizer que somos muito importantes para o andamento do Reino, como temos um Dono que faz questão de nos fazer sentir únicas, temos um Senhor que nos faz delirar de tanta alegria quando Ele está perto, daí eu acho que a distancia é apenas um alimento pro corpo e pra alma e por consequência nos deixar mais fortes e plenas para satisfazê-Lo em nosso próximo encontro real. (kamira { K@ })

 

A ausência, a privação de contato, a distância são formas de entrega que nem sempre sabemos administrar. Saber conviver com esse tipo de situação requer maturidade e segurança na relação, que varia de pessoa para pessoa, onde cada uma tem seu tempo. Outro elemento que ajuda bastante também é definirmos carência afetiva de submissão, embora sejam propósitos distintos, volta e meia eles estão sendo confundidos na relação D/s.

 

Nos meus sete anos no Reino já recebi o Mestre e me despedi Dele muitas vezes, nem sei precisar quantas. Em cada encontro e despedida o sentimento foi diferente, saí forte e segura e também frágil e insegura... Senti vontade de vê-lo no dia seguinte, como também achei que a distância seria a melhor aliada. Construímos muitas coisas juntos, tivemos e temos opiniões muito próximas e diferentes também. Conheci ao lado Dele coisas incríveis e também contribui para que Ele vivenciasse coisas sonhadas e não sonhadas, ultrapassamos limites, criamos e recriamos juntos quase o impossível. E nesta relação intensa nos oportunizamos conhecer bem um ao outro... E isso de certa forma ajuda muito a administrar os momentos de separação.

 

A distância já foi indignação e sofrimento, resignação e aceitação, hoje olhando para trás vejo o quanto cresci e amadureci, já passei da fase dos arroubos estou me propondo a construir uma nova fase da relação em que a distância é mais companheira do que algoz. Saudade, ciúme, insegurança existem? Sim, mas o vínculo com tudo que já foi construído acaba prevalecendo e esses sentimentos menos nobres vão sendo melhor administrados e hoje vejo que não saberia viver de forma diferente.

 

E não pensem que só submissa se incomoda com a distância, o Mestre também sente esse afastamento, sobretudo quando a relação encontra sintonia com as fantasias Dele... Ele também deseja estar com suas pupilas quando está distante, mas sabe administrar e tirar o melhor proveito em todas as situações, principalmente exercendo Seu domínio e sadismo. Ele gosta de viver nesse formato e procura extrair o prazer de cada ocasião com intensidade, com quando diz:

O modelo que vivemos passa longe de me incomodar, a não ser pelas limitações financeiras de fazê-lo funcionar. Ao contrário, enche-me de prazer. Permite-me dar mais realidade a este harém remoto. Procuro curtir todos os momentos dos encontros reais... tanto com a sub com quem estou, como por imaginar como as outras estão lidando com a situação. Quando estou em casa, todas sabem que eu saio o mínimo possível, que gosto de ficar pensando nas coisas do Reino. De ficar telefonar ou ficar no MSN falando com todas, porque entendo que é esta a parte mais difícil da relação... fazer com que ela se mantenha forte no dia-a-dia. Nos encontros tudo ficar muito mais fácil. (Mestre K@).

 

E assim penso que cada uma tem ou terá a sua história com Ele e vai construir de forma não menos importante, mas diferente. E para isso a confiança no que já foi construído, assim como no que está por vir é fundamental.

 

Para finalizar elaboramos dez sugestões para manter um relacionamento à distância saudável:

  1. Confie! A confiança em si mesma e naquele que a domina é o ingrediente essencial para qualquer relacionamento.
  2. Saiba utilizar o vazio criado pela ausência como uma das facetas de uma relação D/s, afinal o sofrimento sempre aproxima Dono de escrava;
  3. Ocupe o corpo e a mente para outras atividades de trabalho e lazer nos períodos de ausência, pois se focar só nisso acaba virando paranoia.
  4. Tenha criatividade para fazer da ausência momentos de aprendizado e estímulo para o próximo encontro;
  5. Utilize os meios virtuais (tecnologia) para manter contato com o Dono ajuda a amenizar essa vontade de estar próximo, por isso use e abuse... quando permitido!
  6. É mais saudável viver uma relação com um Dominador distante, mas com quem você tenha confiança e afinidades na fantasia do que alguém próximo que não oferece essas garantias;
  7. Garanta a qualidade dos encontros reais como formas de estimular a chama da motivação. É preferível ter menos encontros intensos e mais prazerosos, do que mais encontros desgastantes e sem sentido;
  8. Saiba entender as limitações que nós submissas temos, ou que o Dono tem e que dificultam os encontros reais. Merecimento nem sempre está em sintonia com a viabilidade... Aí entra a persistência e o real desejo de servir;
  9. A opção de servir na “modalidade a distância” é da submissa em comum acordo com seu Dono, isso precisa ficar claro em todo momento para não haver quebra de expectativas;
  10. Cuide para não confundir carência afetiva com submissão. A distância pode parecer muito mais cruel quando não se define o que se quer.

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