Entendendo a Dor

Dor é um fenômeno multidimensional que envolve aspectos sensoriais e emocionais. É uma condição única de difícil e complexa definição, intrínseca a quem a sente e vivência. Está presente durante todos os ciclos da vida e depende não só de uma lesão tecidular como também de vários fatores que nos rodeiam. Dor é uma experiência pessoal e variável que depende da cultura, conhecimento e fatores cognitivos. O aspecto sensorial diz respeito ao estímulo doloroso propriamente dito e o emocional está ligado à carga negativa ligada à experiência individual de cada um. Esses estímulos podem ser sentidos e descritos de maneiras diferentes por diferentes indivíduos. No homem comum, o medo de conviver com a dor implica na sua percepção sobre ela.

 

Os tipos de dor considerados principais são:

  • Dor nociceptiva - é aquela originária na área física onde ocorre o estímulo que a origina. É a sensação que pode ser expressa em graus de desconforto e está ligada ao grau de lesão dos tecidos. E podem ser descritas da seguinte forma:
  • Dor somática: uma sensação dolorosa, bem localizada e variável que é aliviada pelo repouso. Exemplo: dores ósseas, pós-operatório, dores artríticas, etc.
  • Dor Visceral: causada por distensão de víscera oca, mal localizada e constritiva. Associa-se a vômitos, náuseas e sudorese. Exemplo: obstrução intestinal, câncer de pâncreas, dor inflamatória, etc.
  • Dor neuropática - é provocada por uma lesão ou doença no sistema nervoso, normalmente descrita como dor aguda, choques elétricos ou formigamento. É de difícil tratamento e geralmente incapacitante. Pode ser episódica, temporária ou crônica e de longa duração.
  • Dor psicogênica - é a dor de origem emocional, gerada comumente pelo medo e ansiedade.

 

A dor é um sinal de alarme do organismo e se manifesta agudamente, revelando que algo de errado está acontecendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso. Os estímulos são conduzidos até a medula espinhal, onde é modulada e depois levada ao cérebro que avisa que em algum lugar está ocorrendo algum problema. Há quem diga que a dor é um dos pilares da autopreservação dos seres vivos e junto com o prazer compõe um movimento que afasta o homem de tudo que pode destrui-lo, ou o aproxima das coisas que lhe proporciona bem estar e crescimento. As pessoas reagem de formas diferentes diante da dor e com o avanço da idade, os sintomas diminuem, as pessoas reclamam menos.

 

Por ser uma experiência sensorial e subjetiva, sua intensidade varia de pessoa para pessoa, o que torna perigoso fazer-se uma avaliação desvalorizando-se a dor de intensidade mais fraca. Para medir essa intensidade foram criadas as "escalas de intensidade da dor"; a mais usada é a escala numérica - 0 (sem dor) a 10 (máximo de dor). Existem ainda a escala analógica visual (uma linha onde os extremos marcam o mínimo e o máximo grau da dor); a escala de cores e escala verbal.

 

O tratamento da dor envolve medidas farmacológicas ou não farmacológicas e devem ser individualizadas, considerando-se a natureza da dor, os efeitos colaterais e as contraindicações das drogas. As drogas mais usadas para o tratamento são: analgésicos, relaxantes musculares, antiespasmódicos; o diagnóstico deve ser feito por profissionais capacitados com a ajuda do paciente, para que possam prescrever um tratamento adequado e em razão disso, conseguir melhorar a qualidade de vida do paciente. Alguns tratamentos alternativos podem colaborar na diminuição da dor. São eles:

  • Acupuntura - Medicina chinesa que consiste na aplicação de agulhas em pontos definidos no corpo que se chamam canais e pode se obter efeitos terapêuticos conforme o caso tratado.
  • Shiatsu - Método terapêutico originário do Japão que usa a pressão dos dedos ao longo do corpo.
  • Reflexologia - Massagem nos pés para diagnosticar e curar doenças.

 

Estudos revelam que dor e prazer podem ter relações mais próximas do que se pensava. O Dr. David Borsook do Hospital Geral de Massachussets e sua equipe, descobriram que as duas sensações ativam os mesmos circuitos do cérebro o que sugere que os caminhos da dor e do prazer sejam similares. Outros estudos ainda apontam que o prazer pela dor é causado pela insuficiência e transtornos hormonais. Há quem diga que os picos mais extensos da dor podem ser comparados à sensação de um orgasmo. Se levarmos em conta que a sensação do prazer é efêmera e a dor aguda perde sua força lentamente, podemos dizer que a diminuição da dor pode causar um certo prazer.

 

Essa sensação é bem perceptível nas relações entre sádicos e masoquistas. Há quem diga que o masoquista é aquele que tem prazer na dor pela dor e que o sádico sente prazer em infligir dor no outro; mas tudo é bem mais complexo. No BDSM a dor precisa estar ligada a um contexto erótico e com isso o prazer tem um efeito muito mais prolongado e intenso tanto para o Dominador, quanto para o submisso. Quando o Dominador contextualiza a cena é possível amplificar e alongar o instante do prazer para os dois. Portanto o prazer não substitui a dor; ele surge concomitante com ela complementando-se. E é isso que norteia uma relação sadomasoquista. É possível uma submissa ter orgasmos ao ser submetida a um spanking severo ou, atingindo um êxtase tão grande em relação ao prazer que devido ao excesso de endorfinas perde completamente a sensibilidade à dor, cabendo ao Dominador monitorar o estado da submissa e saber parar quando julgar necessário.

 

Os lugares mais doloridos e sensíveis do corpo humano são: órgãos genitais ou regiões próximas; interior da coxa, peito do pé; mãos; costelas; peito; cabeça; rosto; pescoço e axilas. 

 

As dores consideradas piores são: cólica renal (pedras nos rins); cólica biliar (pedra na vesícula); lombalgia aguda causada por ruptura ou lesão de hérnia de disco; neurite herpética (infecção causada por vírus); Gota (acúmulo de ácido úrico); hipertensão intracraniana (rompimento de uma artéria no cérebro); dor de cabeça (enxaquecas severas); dor de dente e dor de parto normal.

 

 

A Dor e o Prazer

 

“A natureza colocou o género humano sob o domínio de dois senhores soberanos: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que devemos fazer, bem como determinar o que na realidade faremos. Ao trono desses dois senhores está vinculada, por uma parte, a norma que distingue o que é certo do que é errado, e, por outra, a cadeia das causas e dos efeitos.

 

Os dois senhores de que falamos governam-nos em tudo o que fazemos, em tudo o que dizemos, em tudo o que pensamos, sendo que qualquer tentativa que façamos para sacudir esse senhorio outra coisa não faz senão demonstrá-lo e confirmá-lo. Através das suas palavras, o homem pode pretender abjurar tal domínio, porém na realidade permanecerá sujeito a ele em todos os momentos da sua vida”. (Jeremy Bentham, in 'Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação).

 

Essa inter-relação entre dor e prazer é bem explicada no sadomasoquismo. O sádico é aquele que sente prazer em infligir dor através da dominação, humilhação e da dor física e psicológica. Já o prazer do masoquista é sentir dor como vítima de domínio, humilhação verbal ou física, sofrimento físico ou moral. As relações entre sádicos e masoquistas são consensuais e de comum acordo são estabelecidas regras e limites; essas regras permitem que as sessões sejam feitas com tranquilidade. Assim, o dominado se entrega sem medo e o dominador dirige a "cena" com segurança. 

 

É preciso que se saiba que no SM (relações entre sádicos e masoquistas) existem uma grande quantidade de práticas que podem estar presentes nas sessões. Quando pensamos no sadomasoquismo, logo nos vem à mente homens com chicotes na mão, mulheres com botas e roupas de couro, mordaças e vendas. Mas não é só isso. Existem várias práticas que levam ao prazer e que envolvem a dor em todos os níveis e graus. Cada um é responsável por delimitar o grau do que deseja alcançar para que não vire violência pura e acabe em experiência traumática.

 

Para os praticantes, a relação entre dor e prazer é um fio tênue. A dor precisa estar ligada a um contexto erótico e com isso o prazer tem um efeito muito mais prolongado e intenso tanto para o Dominador, quanto para o submisso. Quando o Dominador contextualiza a cena, é possível amplificar e alongar o instante do prazer para os dois. Portanto o prazer não substitui a dor; ele surge concomitante com ela complementando-se.

 

Cada um tem suas próprias fantasias e entrar num acordo sobre o que cada um quer viver faz do SM, uma relação SSC - São, Seguro e Consensual. Cabe ao Dominador, respeitar os limites do dominado e prezar sua segurança para que a realização dos desejos seja feita com tranquilidade e podendo assim alcançarem o prazer que almejam. Muito comum nas relações é fazer uso de uma palavra-chave (safeword) que é um código acordado entre os envolvidos, que deve ser usada quando algo está fora do suportável para o que está em situação de inferioridade.

 

Numa cena onde são explorados dor e prazer, essas experiências acionam o sistema nervoso simpático que liberam adrenalina, endorfinas e encefalinas produzindo no corpo o efeito da morfina. Isso faz com que aumente a tolerância à dor e em alguns casos produz uma espécie de transe, chamado de subspace, onde o dominado pode perder a capacidade de raciocínio e coerência; ele perde toda a capacidade de pensar e decidir. É nessa hora, em que a safeword se torna inútil, que o Dominador sempre atento, deve interromper a cena para garantir a saúde física e mental de seu parceiro. Em muitos casos é fácil acontecer do subspace durar dias seguidos e precisa de uma monitorização mais severa. A responsabilidade do Dominador é muito importante pois cabe a ele controlar a cena e se atentar quanto aos cuidados necessários para que tudo aconteça de forma a dar prazer. 

 

Seguindo certos cuidados, é possível que o submisso possa através da dor, entrar num êxtase profundo e deixar-se conduzir até os mais intensos orgasmos múltiplos e proporcionar também ao sádico uma explosão do seu prazer.

 

Fontes: R' Equilibri_us, Dor, Drauzio Varella, Shoong e Wikipedia 

 

por: karla { K@ }


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