Kalía - Palestra Virtual

Submissão verdadeira: a árdua trajetória de conquistas
kalía { K@ } - Palestra proferida na sala de chat da UOL BDSM para Maduros em 13.02.2009

Primeiramente quero agradecer o meu Senhor - Mestre K@ - por ter me autorizado, mesmo eu estando em treinamento, participar desta palestra. Agradeço também os organizadores e idealizadores desta iniciativa de discutirmos sobre nossas fantasias SM, com respeito e responsabilidade.

Agradeço em especial à {rosa vermelha}_C que me fez esse convite de forma tão carinhosa. E agradeço todos os amigos e demais pessoas que se dispuseram estar aqui, em especial as escravas do Mestre que aqui estão. 

Bem, não posso falar do que não sei e do que não vivi sobre submissão, por isso minha fala aqui hoje passa pela minha experiência como escrava submissa de Mestre K@ que fui o único Dono que tive de fato.

O tema da palestra: “Submissão verdadeira: a árdua trajetória de conquistas” já sugere que a submissão não é um conto de fadas como toda escrava imagina e que sempre idealizou viver. Pra mim uma submissa que deseja ter algo de seu Dono tem que fazer por merecer e muitas vezes terá que ralar muito! Conquistas são muito prazerosas, dissimulações não se sustentam.

Uma relação D/s não consiste e tomar tapinhas na bunda, ostentar uma coleira no pescoço, desfilar em meios virtuais, ou casas temáticas a posse do Dono e ainda fazer um gostoso sexo selvagem com ele! Não é também servir-se do Dono para suprir carências afetivas...

Ser submissa implica em fazer renúncias verdadeiras, muitas vezes bem dolorosas e extrair disso um real prazer!

Sou a décima primeira das trinta e cinco escravas que já pertenceram/pertencem ao Mestre. De lá pra cá convivi com muita gente, tive a oportunidade de conhecer e me relacionar com pessoas que me ensinaram muito, seja pelo amor ou pela dor. Conquistei muitos amigos, mas também desafetos. Todos me ensinaram.

Sempre procurei pautar minha conduta por falar o que penso, nem sempre fui bem vista por isso, aliás, acho que isso nunca é bem visto.

Tenho a péssima mania de querer achar que posso ajudar todo mundo, mas nem sempre os caminhos que percorri nesse sentido foram os melhores, por isso apanhei bastante. Fui incompreendida, prejulgada, traíram minha confiança (gente bem próxima) e tentaram destruir a minha relação com o Mestre incontáveis vezes, mas sobrevivemos.

Não estamos todo esse tempo juntos por acaso, ninguém sustenta e mantém um relacionamento de fracasso!

Minha trajetória no Reino de K@ que é um lugar imaginário criado pelo Mestre para dar forma a sua fantasia, as escravas estão divididas em três classes (preta, vermelha e laranja), onde basicamente os papéis são diferentes. A escrava começa pela classe de preto, algumas chegam a vermelho e muitas poucas (até hoje duas) chegam à classe de laranja.

Eu comecei como sub de preto, nove meses depois passei para Sub de Vermelho e por fim cheguei numa cerimônia pública, a ser Sub de laranja. Pude ter escravos, fui emprestada para um Dominador e para dommes, servi submissas do Reino inferiores e superiores a minha classe, vivi muitas sessões coletivas, com convidados e com escravas do Reino.

Atuei como dondoca com direito a todas as regalias e como subgenérica exposta as mais difíceis situações que nem é bom imaginar... De todas as dificuldades, o pior delas é sem dúvida a psicológica!

Como Dominadora fiz sessão individuais com meus escravos e também na presença do meu Dono... Descobrir-me uma sádica libertina foi uma verdadeira delícia e acho que dei conta do recado, afinal tive o melhor de todos os Mestres. Por outro lado retirar a coleira dos meus meninos foi muitíssimo doloroso para mim.

Fiz tudo o que meu Dono determinou e me incentivou, ao mesmo tempo me curvei diante Dele quando exigiu de mim uma nova postura. Ao chegar à classe de laranja se adquire algumas regalias (direito de ter escravos, prioridade nas conversas com o Mestre) Quem não gosta de gozar de privilégios?

Por isso ao voltar para a classe de preto - que também foi um ato público no Dominna - a sensação de perda foi grande demais, maior ainda foi a humilhação sentida. A maior dificuldade tem sido em me adaptar ao novo papel (algo parecido como se trabalhar a vida inteira num escritório e de repente ter que trabalhar na rua andando o dia inteiro).

O ÚNICO alívio foi o sentimento de entrega à vontade Dele... Foi o reconhecimento de que eu estava me despojando de tudo: do meu orgulho, das minhas vaidades, da minha zona de conforto, em favor exclusivo dos desejos e fantasias DELE! Sei que Ele deposita muita confiança em mim e não poderia decepcioná-lo. Ser Dele basta, hoje mais do nunca sinto isso na pele. Não digo que seja impossível, mas acho bem difícil alguém suportar uma situação como esta.

Hoje existe no Reino a figura da Sub de Vermelho protagonizada pela Senhora Klara a quem devo obediência. Até outro dia vivíamos em papéis trocados... Realmente não tem sido fácil para mim essa inversão. Não pela pessoa dela, mas pela condição de estar submissa e assumir novamente a classe de preto no Reino e me submeter a voltar para o final da fila. Sei que como eu, ela também cumpre ordens e a vontade do Mestre

Não sou modelo, não sou o ideal de escrava, passo muito longe de ser um exemplo a ser seguido. Sou apenas uma mulher que optou por servir e que tem procurado se empenhar nisso. Talvez a determinação seja a tônica mais forte em mim.

Gosto muito de dizer, exceção feita a quem curte agulhas, ninguém fica feliz por tomar uma injeção de “benzetacil”, aquilo dói pra burro... rs. No entanto o seu efeito é tiro e queda...

Da mesma forma é quando tenho que fazer uma renúncia em favor da submissão no começo dói bastante, mas depois você se sente infinitamente feliz e realizada. Primeiramente por ter conseguido vencer seus limites e o mais importante: ver o prazer estampado no rosto do Mestre... isso não tem preço que pague! Já perdi a conta de quantas “benzetacil” tomei na bunda. Acredito que eu já deva estar imune...rs.

O que me trouxe ate aqui hoje foi um desejo obstinado do meu Dono de acreditar em mim... Sou submissa porque Ele acredita que eu seja capaz de superar todas as adversidades. E eu acredito Nele!

Entendo que a minha submissão me levou a conhecer e desejar um nível de “masoquismo psicológico” que às vezes assusta até a mim. Para que entendam como e porque eu cheguei nesse nível vou me servir de uma frase dita por Ele aqui nesta sala no dia da palestra Dele: “Quanto mais vejo alguém sofrer, mais isto me dá prazer e me aproxima desta pessoa... pois eu sei que todo aquele prazer é por amor a mim”

Quando eu era Sub laranja o Mestre carinhosamente me chamava de seu “Solzinho”. Quando decidiu me voltar para a classe de preto disse-me essas palavras que me tocaram fundo e me deram a certeza da entrega a esse desafio:

“Meu Solzinho... que se põe... minha lua de sonho que chega para iluminar as minhas noites... Lua que nasce no Céu escuro, mas que com o passar o tempo vai tornando-se forte e brilhante... até que, totalmente branca, novamente cede lugar ao astro Rei”.

Nesse tempo que estamos juntos – “hoje – dia 17 – completamos três anos e meio de relação D/s” – Acredito que nesse tempo já adquiri certa estabilidade, embora eu acredite que nada é estável, tudo precisa ser constantemente construído!

Termino essa minha fala dizendo: Para mim, ser “submissa de verdade” é como eu sentir o brilho e o calor gostoso do Sol, com todo o seu conforto e aconchego e de repente ser mandada para um calabouço escuro, frio e úmido, onde sempre é noite. E mesmo assim, guardar dentro mim a certeza de que, a minha entrega incondicional à vontade do meu Rei, é o que liberta, aquece e ilumina o meu coração. A condição pode aprisionar, mas não o sentimento de servir por amor!

Muito obrigada “meu Rei” pela oportunidade impar que me fez a SUA submissa!

E obrigada a todos pela paciência de me ler... pisc!

 


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