Dez Anos de Reino de K@

Entrevista concedida por Mestre K@ quando das comemorações dos Dez Anos do Reino de K@. 

 

1. Quando o Senhor olha a linha do tempo nesses 10 anos do Reino de K@, qual a primeira coisa que Lhe vem à cabeça? Conte-nos um episódio positivo e um negativo que marcou esse tempo.

O que primeiro me vem à mente quando eu olho a linha do tempo é um sentimento de realização, por tudo que consegui construir e conquistar: uma fantasia que me realiza plenamente.

 

De positivo eu guardo as amizades que fiz, as oportunidades que tive de conduzir minhas escravas, algumas convidadas e as vivências com as Rainhas e Dominadores amigos.

De negativo... os aborrecimentos que existem em toda forma de relacionamento e penso que torná-los em evidência é dar crédito para o que não convém. Melhor deixá-los no que já passou!

 

2. Como o Senhor descreve a evolução do Reino nesse tempo? Teve momentos que pensou ou pensa em parar? Imagina-se vivendo o SM sem esse formato da Sua fantasia?

De uma forma sólida e consistente. Consegui implementar a maior parte das minhas ideias e viver as minhas maiores fantasias.

Já pensei em parar sim, muitas vezes! É natural quando algo sai fora daquilo que planejamos. Nem sempre tudo funciona como o planejado, já vivi muitas relações especialmente deliciosas e outras complicadas, mas aprendi com todas.

Não! Acredito que tudo ficaria muito monótono, principalmente, porque a minha vida é um total agito por conta das minhas escravas, candidatas e amigas com as quais falo quase todos os dias. Acredito que mudanças no formato do Reino ainda podem acontecer, mas não creio que vá ser muito diferente do que considero essencial na minha fantasia.

 


3. Na Sua visão, desde que começou com o Reino de K@, quais as mudanças percebidas no SM? O que melhorou e o que piorou?

A grande mudança foi a popularização do BDSM. Filmes e romances eróticos exploraram bastante o assunto. A internet aproximou interesses, facilitando encontros entre pessoas dispostas a viver suas fantasias. O outro lado da moeda foi a crescente procura do assunto por parte dos curiosos, que geralmente estão à procura de sexo apimentado, não discernindo do que realmente vivemos.

 


4. Dividiria o seu Reino com uma Senhora? Por quê?

Definitivamente não. Porque não é esta a minha fantasia. Agora, ter uma Rainha convidada, por um tempo determinado, que se identifique com a minha fantasia aceitaria sim, sem o menor problema! Já aconteceu algumas vezes de Rainhas participarem como convidadas Especiais de vivências comigo e com minhas escravas. Eu não só aceitaria como teria o maior prazer!

 

5. Depois de muitas vivências no Reino, o Senhor poderia dizer em que situação ficou mais próximo de Sua fantasia e outra que mais se distanciou dela?

Não escolheria uma em especial. No fundo várias situações chegaram onde eu fantasiei, cada uma do seu jeito, com as submissas envolvidas superando seus medos e limites.

Às vezes, algo é muito simples de ser superado por uma escrava, já para outras torna-se um limite, por isto entendo que não há como comparar situações com escravas tão diferentes.

Já as que mais se distanciaram ficam por conta daquelas que não conseguiram lidar com o dia-a-dia do harém. Cumprir regras, realizar tarefas, conviver com as demais escravas, nem sempre é algo que todas submissas conseguem lidar.

 


6. Em que consiste uma sessão real com mais de uma submissa. Essa prática evoluiu, modificou ou regrediu durante esses 10 anos?

Eu, ao contrário da grande maioria dos homens, não tenho a fantasia de ver mulher tendo relação sexual com mulher, então em minhas vivencias as sessões acabam acontecendo de uma forma em que as escravas estão servindo a mim ou a uma Rainha convidada, ou uma de minhas escravas que esteja em classe superior, ou ainda com escravas da mesma classe e atendendo apenas a minha vontade.

 


7. Após tantos anos de BDSM, o Senhor pode prever se uma candidata a submissa conseguirá realizar Suas fantasias, depois de alguns meses?

Não. Este processo de conhecimento e construção da relação D/s é sempre cheio de surpresas. Já existiram situações, que após a troca de duas ou três mensagens eu poderia ter apostado que não daria nada certo, no entanto as relações duraram anos. Por outro lado, existiram conversas iniciais bem interessantes, que acabaram não dando em nada meses depois. O que define é realmente como a escrava consegue lidar com a rotina do Reino.

 

8. É sabido que um de seus sonhos ainda não realizado é a criação de uma escola de submissas. Como pretende colocar em prática esse sonho levando em conta a forma com que vive suas relações, geralmente à distância?

Sinceramente não tenho a menor ideia ainda... rsss! Brincadeiras à parte, eu acho que a distância não é o maior problema, a dificuldade está em como organizar uma proposta pedagógica que possa atender os interesses de pessoas com fantasias e desejos tão diferentes.

 

9. O Senhor, em outra entrevista, disse que a frase que marcou os 9 anos de Reino foi: "Não está aguentando? Pede para sair!” Ainda prevalece esse pensamento?

Não, acho que hoje eu estou um pouco mais light, principalmente, com as iniciantes. Como já realizei muito do que eu gostaria de viver, sinto que tenho ido com menos sede ao pote. Meu lado sádico fica mais aguçado quando a submissa é mais experiente.

 

10. Muitas mulheres o procuram para conhecer e/ou viver uma relação D/s e as redes sociais, email e o seu site ajudam muito nessa aproximação. Como era antes desse avanço da tecnologia? Como foi que o Senhor adquiriu a Sua primeira escrava?

Antes os contatos eram feitos através de cartas enviadas para caixas postais nos Correios. As pessoas pescavam, um ou outro detalhe, em anúncios feitos nos classificados de jornal ou revistas eróticas e arriscavam mandar suas cartas, na esperança de encontrar alguém que se identificasse com o tema e suas fantasias. Imagine o tempo que isto demorava, isto quando a pessoa se dava o trabalho de responder.

Apesar de ter enviado algumas cartas no início, quando criei o Mestre K@ e o Reino já estávamos na era da internet. Conheci a minha primeira escrava, a Karina, na sala de chat da UOL.

 


11. Como consegue filtrar e escolher Suas submissas, entre tantas mulheres, sabendo-se que nem todas as pessoas são de boa índole? E como protege as submissas que estão sob Seu domínio desses inconvenientes?

Não sei se consigo filtrar, mas o fato é que tanto eu como minhas escravas sempre tivemos muita sorte. Em minha caminhada tive poucos problemas, poderia dizer até que foram irrelevantes. No Reino, sempre digo às minhas escravas: procurem escutar mais e falar menos, isto já diminui muitos aborrecimentos!

 


12. Das 71 submissas que lhe pertenceram o tempo de permanência no Reino variou entre alguns dias, até os oito anos da kalía. O Senhor consegue identificar motivos comuns que levaram a saída dessas submissas? E as que ficaram, o que as motivaram a fazê-lo? Considera que sua fantasia é tão difícil assim de ser vivida?

O maior motivo para que elas deixem o reino está ligado ao fato de que a fantasia do harém pertence a mim. Para a submissa cabe apenas aceitar a fantasia, muitas tentam, mas quando percebem que não conseguem ter prazer, acabam optando por terminar a relação, ou me levam a fazê-lo.

As motivações que mantêm as submissas no harém são as mais variadas, mas acredito que todas passem de uma forma ou de outra pela transparência e sinceridade com que as coisas acontecem no Reino e respeito por tudo que eu gosto e acredito, ainda que não concordem tanto.

Sim, minha fantasia é bem complicada, principalmente, por conta dos diferentes papéis existentes no Reino e pela hierarquia entre as classes. Digo que viver no Reino, da forma que eu desejo, é para um número bem seleto de submissas.

 


13. Reino chega aos 10 anos agitado - escravas iniciantes, convidada participando de vivências, gente voltando. O que está sendo mais difícil nesse momento? E o que está sendo mais prazeroso?

O que mais está atrapalhando nesta vivência é o meu momento profissional, que bagunçou toda a minha rotina. Por outro lado, tem sido muito prazeroso poder ver 4 escravas iniciantes (kaciara, kamira, klarissa e katucha), conseguirem entender e viver a minha fantasia de uma forma tão especial.

 


14. O que dá mais trabalho: uma submissa muito indisciplinada ou uma submissa muito apaixonada?

Nenhuma das duas! Submissa que é submissa dança conforme a música ou vai ficar de pezinhos quentes com tantos kastigos...rsss!

 


15. Como as pleiteantes a um lugar no seu harém reagem à Sua conhecida fantasia de mulher se submetendo a outra mulher?

Nas primeiras conversas, sempre surge muitas dificuldades, as vezes, são taxativas em dizer que jamais viveriam algo do gênero. Com o tempo, vou conseguindo mostrar como as coisas de fato funcionam e o quanto isto é importante para mim e então, algumas acabam concedendo-me a honra de conduzi-las numa relação D/s, outras tornam-se amigas ou seguem seu caminho.

 


16. É possível que as submissas aceitem a Sua coleira mais pelo encantamento e sedução do Mestre K@, do que pela Sua fantasia? E como fica isso?

Eu diria que não só é possível, como de fato muitas vezes acontece, só que nestes casos a submissa acaba não conseguindo ficar no Reino, pois os nossos objetivos são distintos. Isso pode durar dias, meses e até anos.

 

17. Usando o site como termômetro, o Senhor acha que 2012 foi um divisor de águas no BDSM por conta do sucesso de livros como "50 Tons..."?

Sim, acredito que os livros ajudaram bastante, principalmente, as mulheres a se permitirem viver seus desejos sexuais, nem sempre aceitos socialmente.

 


18. Influenciadas pela trilogia dos “50 tons” um número bem maior de mulheres tem procurado o Senhor para viver o SM. Qual o perfil dessas mulheres? São diferentes das que os procuravam antes desse fenômeno da literatura erótica?

Sim são bem diferentes. Há um tempo atrás as mulheres que procuravam viver uma relação D/s, liam e estudavam sobre o assunto, já chegavam sabendo o que queriam. Atualmente, muitas mulheres vem para o BDSM, achando que vão encontrar o seu Christian Grey, o que de certa forma não difere muito da ideia do príncipe encantado na versão moderna e picante.

 


19. Quem é o Mestre K@ depois de 10 anos de SM? O que almeja daqui pra frente?

O Mestre K@ foi, é e pelo visto vai continuar sendo um Dominador, podólatra e sádico. Agora com um pouco mais de experiência pelo contato que tive com muitas mulheres das mais diversas personalidades, alegres, bem humoradas, tímidas, agitadas, deprimidas, eufóricas, centradas, dispersas... enfim, com cada uma eu somei aprendizados.

Desejo continuar inovando e recriando o Reino de K@, vivendo o que me dá prazer e oportunizando mulheres a conhecerem uma proposta séria de vivência D/s. Ainda que não tenham perfeita sintonia com a minha fantasia, muitas submissas saem do Reino sabendo principalmente o que não devem admitir como prática SM. Acredito que essa é a minha maior contribuição.

 

20. Com a experiência que tem hoje, o que recomendaria para quem está iniciando no SM?

Muita leitura! Pesquise, estude e tenha bem claro o que procura para si! Seja verdadeiro sempre, pois do contrário, engana-se principalmente a si mesmo.


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